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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DOUTRINA ESPÍRITA INVENTOU A MEDIUNIDADE? - PARTE II

   Todas as civilizações, desde os primeiros agrupamentos dos Homos até a mais avançada sociedade da atualidade, tiveram seus intermediários entre aqueles que não possuíam ou abandonaram a roupagem carnal pelo fenômeno da morte e os ditos “vivos”.

   Se passarmos os olhos rapidamente na história da humanidade, verificaremos a existência de seres considerados “especiais” nas tribos primaveris da organização social humana (pagéns e feiticeiros), nos oráculos das civilizações gregas e romanas (sacerdotisas e pitonisas), nos desertos palestinos e no oriente médio (profetas) ou aqueles que perambulavam às escondidas pela densa noite escura da “idade das trevas”, julgadas e condenadas como bruxas e bruxos.  Há em comum a todos a influencia dos espíritos e o intercambio do mundo espiritual com o mundo corporal. Fenômeno este mal compreendido e interpretado segundo os interesses de alguns à época.

   O que dizer daqueles que possuem certas aptidões mediúnicas ou “paranormais” capazes de auxiliar na investigação criminal tais como Ann Fisher, Carol Broman, Mary Downey, Nancy Orlen Weber, Noreen Reiner e Rosemarie Kerr, todas nos Estados Unidos. Outro fato digno de nota ocorreu durante um julgamento em 1990 onde duas cartas da assassinada Gleide Dutra de Deus, morta em 1980, foram enviadas através da mediunidade de Francisco Candido Xavier. As duas inocentavam o réu João Francisco Marcondes de Deus e que foram aceitas como provas da inocência do mesmo. Após o envio desta carta as mãos da defesa do réu, constatou-se junto a equipe médica que Gleide antes de morrer havia inocentado o marido momentos antes de seu último suspiro.

   Sem dúvida alguma se estivéssemos na época medieval (séc. V a XV d.c) atribuiríamos estes fatos ao diabo e acusaríamos as pessoas pelos quais os fenômenos se deram de bruxos, feiticeiros, adoradores do demônio etc, e provavelmente os lançaríamos as fogueiras ignominiosas da Santa Inquisição. Felizmente não mais é assim, pelo menos não para uma considerável parcela da humanidade, cada vez maior, diga-se de passagem.

   Atualmente, na era do cientificismo positivista iniciada com René Descartes, o fenômeno mediúnico deixou de ser artigo de fé como no caso dos profetas, algo miraculoso e misterioso dos oráculos Greco-romanos ou artimanhas e peripécias do diabo atribuídas às bruxas e a todos os fenômenos que não conviesse aos interesses da Igreja Apostólica Católica Romana.


   Inúmeras pesquisas científicas sobre o fenômeno mediúnico foram realizadas no século XIX onde destacamos a do cientista inglês Willian Crookes que durante cerca de trinta anos em sua casa com o concurso dos médiuns Daniel Dunglas Home, Kate Fox, Florence Cook analisou fenômenos de movimento de corpos à distância, tiptologia, alteração de peso dos corpos, levitação, aparência de objetos luminosos, aparência de figuras fantasmagóricas, aparência de escrita sem intervenção humana e circunstâncias que "sugerem a atuação de uma inteligência externa".


   Outros trabalhos importantes foram os do Russo Alexander Aksakof, do italiano Cesare Lombroso, sendo a mais importante deles a do francês Hippolite Leon Denizard Rival emérito pedagogo que futuramente seria conhecido mundialmente pelo pseudônimo de Allan Kardec. Este foi o responsável pela codificação da Doutrina Espírita, aplicando em sua pesquisa dos fenômenos mediúnicos o método experimental, a lógica indutiva e dedutiva que resultou na publicação de O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.


   Vê-se, portanto que aqueles que afirmam que a mediunidade é uma invenção do Espiritismo, tão apregoada sejam nos templos religiosos ou nas rodas de conversa, é sem contradita passar atestado de ignorância sobre o assunto adiantando ser bem curto de visão histórica e um péssimo juiz ao julgar que os outros também o são. Allan Kardec nada mais fez do que aplicar a metodologia científica aos fenômenos mediúnicos e os estudar exaustivamente, levantando o véu do sobrenatural e do maravilhoso dando-lhes explicação como o faz toda ciência que nada inventa, apenas revela as leis pelas quais se dá os fenômenos a que se dedicam a estudar.
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