As exuberantes claridades do
Século das Luzes não foram suficientes para arrancar a criatura humana do
materialismo e do pessimismo. Enquanto as Escolas de pensamento se debatiam nas
rudes procelas do cepticismo e da negação, apoiadas sobre os alicerces do
mecanicismo científico, afirmando a morte do ser no momento da anóxia cerebral,
igualmente alargavam-se os horizontes da investigação em torno da personalidade
e do comportamento, da psique e da saúde mental, tentando-se compreender a
estrutura profunda do inconsciente e da sua constituição neurológica.
Teorias grandiosas apareciam
com entusiasmo e emurcheciam dominadas por outras não menos esdrúxulas, que
deslumbravam as mentes aturdidas e cansadas do Deus teológico e arbitrário, que
atemorizava e punia sem compaixão em nome do amor que preconizava em Seu nome.
Pensadores cristãos sinceros,
não obstante, proclamavam a necessidade de uma releitura do Evangelho baseados
na necessidade de uma renovação moral fundamentada em Deus e liberdade.
Espíritos notáveis reencarnados, quais Lamennais, Lacordaire e outros lídimos
servidores do Bem, após iniciarem a nova era do pensamento cristão através do
seu periódico L'Avenir, convidando os teólogos e estudiosos católicos a uma
revisão dos textos evangélicos e aplicação mais consentânea com os dias de
então, viram o seu órgão ser fechado pela intolerância clerical, em tentativa
cruel de silenciar-lhes a voz, mas não desistindo de dar prosseguimento à luta
em favor de uma sociedade feliz e realmente cristã conforme os postulados
enunciados e vividos por Jesus.