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domingo, 5 de janeiro de 2014

HOMEM: DO INSTINTO AO SENTIMENTO

    A tudo que volvemos o olhar desde a pequena “nove horas” ao forte e frondoso carvalho, ou a lapidação do grão de areia que se perde na poeira do tempo, a construção do mais belo e alto edifício, percebemos que cada coisa vem a seu tempo dentro de uma sequência constante de acontecimentos que obedecem a uma ordem ainda incomum – nem todos a percebem, mas que é uma divina lei: evolução na natureza e progresso para os homens.

    O desenvolvimento do homem (alma, laço que prende a alma ao corpo e o corpo), não foge a esta regra, pois quando observamos do presente o passado até onde a arqueologia e as ciências históricas podem nos levar, os fatos históricos mostram que o homem está em uma crescente no desenvolvimento de suas capacidades, sejam intelectuais, emocionais, psicológicas, espirituais etc. Isso até o ponto que nossa razão abarca, pois daqui em diante só nos resta aguardar o futuro, visto que há capacidades que ainda encontram-se adormecidas aguardando o momento certo para eclodirem como semente que espera a terra, a água, a luz e a mão amiga a semear.

    Partiu, pois este nauta do progresso do ponto de partida que há em comum a todos os seres orgânicos – o instinto, que nas palavras de Allan Kardec “(...) é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles (...)”. Aos poucos, de ato em ato sem reflexão, sem combinação, sem premeditação dos homens das cavernas, atos que apenas levavam a sobrevivência de si mesmo e da perpetuação da espécie, acabou por possibilitar o desenvolvimento de um complexo e engenhoso Ser que hoje não apenas é levado pelas circunstâncias fortuitas da vida, mas que deseja ser senhor de sua construção, que pensa, que faz, que sente, que se emociona, que é responsável, que tem consciência, enfim de que se tem um presente é porque teve um passado e que o futuro invariavelmente haverá de se tornar presente quando estivermos prontos e de todo o “coração” quisermos.

    Nessa caminhada se o instinto é o que há de mais primitivo em nós, presente desde a origem, é o amor o ponto delicado do sentimento, conquista das mais nobres e essência divina que há em todos nós e que se desenvolve à medida que compreende o homem a importância deste no soerguimento de sua própria felicidade, implantando o altruísmo em sua existência em substituição do egoísmo. Não por acaso ser este o móvel, o objetivo e o resumo de toda a Doutrina de Jesus que numa atitude de desvelado amor e misericórdia celeste exemplificou o caminho luminoso até O Pai quando de sua passagem por este plano.

    Mas há entre um polo e outro o intelecto e suas múltiplas facetas (combinação e ação deliberada) que desabrocha através das vidas sucessivas que cada um de nós teve, estamos vivendo e teremos, onde pouco à pouco este sucede e prepondera não o excluindo o instinto que também é uma inteligência, mesmo que rudimentar e não racional. Enquanto a primeira liberta e faz o homem alçar voos cada vez mais altos e profundos, a segunda mantêm e conserva-lhe a vida orgânica.

    É assim que de passo em passo o homem navega nas ondas do progresso, nesta lei divina, natural e silenciosa que passa despercebida cada vez menos pelos seus navegantes à proporção que se esclarecem, libertando-se das amarras do primitivismo rumo a plenitude do ser.


BIBLIOGRAFIA
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Questões 71 a 75, p.105 a 107.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 120. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. XI, item 8, 9 e 10, p. 232.

OLIVEIRA, Edí Carlos Rebouças de. Palestra O Amor como Lei da Vida. Núcleo Espírita Casa da Paz | Russas-Ce. 01 de janeiro de 2014.


Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP): http://www.priberam.pt/DLPO/
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